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sensei Vilaça Pinto

 

VILAÇA PINTO - INSTRUCTOR CHEFE JSKA PORTUGAL

 

Sensei Vilaça Pinto iniciou-se no Karate em Lisboa, na Academia de Budo, em 1966. Entre 1969/72 teve vários estágios com senseis da JKA tais como: Kanazawa, Miyazaki, Enoeda Tomita e Kato. Consciente da diferença técnica que separava Portugal de outros países, rumou em direcção ao Japão/JKA em 1972. Já no Japão, foi recebido pelo Mestre Mazatoshi Nakayama e aceite como membro do seu Dojo Hoitsugan (nºA000001), onde treinou e residiu até 1976 tendo-se tornado seu discípulo.

 

“É muito difícil encontrar uma pessoa como o shihan Nakayama mas mais difícil ainda é esquecê-lo”.

 

A par dos treinos diários no Hoitsugan de Ebisu, dirigidos pelo mestre Nakayama, sensei Vilaça Pinto treinava também diariamente no Honbu Dojo da JKA, inicialmente em Suidobashi e posteriormente (1974) em Ebisu a escassos metros do Hoitsugan, e ainda, três vezes por semana com o sensei Kanazawa no seu Dojo particular em Yotsuya. Naquele tempo o Honbu da JKA mais parecia uma colmeia, repleta dos melhores instrutores de Karate do Japão. Além dos treinos espaçados dirigidos pelo mestre Nakayama, eram presenças habituais senseis como: Kanazawa, Yano, Soji, Abe, Hayakawa, Takahashi, Assai, Oishi, Isaka, Tanaka, Osaka, Yahara, Kawasoe, Sato e, os mais novos, Kasuya e Mori.


“Só quem lá esteve sabe o que era aquele Dojo diariamente e o ambiente que nele se vivia. A intensidade dos treinos não nos permitia sequer olhar para o parceiro do lado. Só em kumite podíamos saber quem estava naquela aula além de nós”.

 

Nunca em algum momento da história do Karate alguma escola conseguiu reunir tão altas graduações como a JKA na década de 70.

 

“A disciplina começava antes de entrar no Dojo. Ninguém ousava entrar após a saudação inicial e, se por qualquer motivo não se chegasse a tempo, era preferível não entrar. Por isso todos os alunos chegavam meia hora antes… Dolorosos minutos estes! Os senseis chamavam os alunos para kumite-livre, ritual que se repetia depois da aula. Se algum noviço pensando em escapar à praxe, corresse para o banho logo após a sudação final, era chamado para uma sessão de kumite-livre. Desde o primeiro dia me interroguei acerca da diferença de método entre as aulas no Honbu e as aulas dadas pelo mestre Nakayama.”

 

Nesta década, período áureo do karate Shotokan a JKA contava com mais de 10 milhões de praticantes de 65 países membros, estando presente em quase todos os países do mundo. Hoje, muitos karatecas se interrogam sobre as razões pelas quais o Mestre não nomeou um sucessor.

 

“Pessoalmente penso que foi uma decisão longamente ponderada e baseada na análise da situação da JKA nos últimos anos da sua vida".

 

Não é crível que um mestre como Nakayama se tenha deixado surpreender pela morte. A circunstância de os seus discípulos mais graduados possuírem a mesma graduação tornava a nomeação mais difícil. Mesmo que o fizesse o desmembramento seria inevitável. O Honbu-JKA era, naquele tempo, como uma enorme jaula de feras que só Nakayama conseguia conter. Mesmo assim começavam a surgir sinais de ruptura (sensei Kanazawa). A sua decisão, contra a expectativa de muitos, foi que o karate Shotokan resultou na surpreendente expansão do karate. Hoje, todos os grandes mestres formados por Nakayama lideram organizações mundiais ensinando o Shotokan que no passado competia apenas à JKA.


A JSKA liderada pelo Sensei Abe é uma dessas. Sendo este o mais fiel discípulo de Nakayama, estava encontrada a escolha de sensei Vilaça Pinto para Portugal, dando continuidade ao Karate criado por Funakoshi seguido por Nakayama, Abe e Vilaça Pinto. A ligação de sensei Vilaça Pinto ao sensei Abe, traduziu-se institucionalização da JSKA-Portugal.

Já em Portugal e até 1985, participou em competições da ESKA e WUKO, como competidor e depois como Seleccionador Nacional da Federação Portuguesa Karate e Disciplinas Associadas (FPKDA), onde exerceu funções de Director Técnico Nacional.

 

Actualmente é 7º Dan Shotokan, membro da Shihankai JSKA e Treinador Nacional de Karate Nível III (a mais alta qualificação Federativa Nacional).